Sociedade e cultura num mundo em mudança

12-02-2012 18:30

Mutações na estrutura social e nos costumes:

 

Após a 1ª Guerra Mundial, assistiu-se no mundo ocidental, a um período de prosperidade e de grandes transformações sociais e culturais.

 

Na nova Sociedade urbana e industrial, as classes médias adquiriram um peso crescente e verificou-se uma diminuição das desigualdades sociais.

 

Passada a guerra vive-se uma época de euforia. Surgem alterações no código social e moral, na moda, nas artes, nas ciências, nos costumes e tradições. A rádio, a imprensa, a industria discográfica e o cinema contribuíram para o aparecimento de uma cultura de massas (acessível à maioria da população).

 

Vamos concretizar as afirmações anteriores:

 

Peso crescente das classes médias

 

No período entre 1920-30 verificaram-se grandes transformações nas sociedades do mundo ocidental. Para essas transformações contribuíram:

  • as transformações económicas decorrentes da 1ª Guerra Mundial;
  • a crescente igualdade de direitos entre homens e mulheres;
  • a extensão do direito de voto a todos os cidadãos, incluindo as mulheres;
  • a democratização do ensino com a frequência da escolaridade básica para um número cada vez maior de pessoas;
  • o crescimento do sector terciário, principalmente os serviços.

Como consequência deste conjunto de mudanças as desigualdades sociais diminuíram o que contribuiu para o crescimento das classes médias. Estas eram constituídas pela média burguesia (comerciantes e industriais) e por profissionais liberais (médicos, juristas, professores…).

As classes médias ganham cada vez mais um peso decisivo, ao nível económico, como também nos aspectos sociais e culturais. Criaram um novo código social e moral, novos modelos, novas modas, e novos mitos que marcaram o sec. XX.

 

Alterações no código social e moral

 

Na década de 1920 “Loucos Anos 20” verificaram-se alterações nos comportamentos sociais e nos valores morais, sendo o vestuário, a moda e as formas de lazer, os aspectos mais visíveis dessas alterações.

A moda passou a ser mais determinada por considerações de ordem prática, abandonando o aspecto formal e sóbrio anterior.

 

A par da moda, também os movimentos de luta das mulheres pela igualdade de direitos em relação aos homens, contribuíram para uma nova imagem da mulher na sociedade.

 

 

A defesa da igualdade e o desejo de afirmação das mulheres era visível nas transformações da moda. Roupas mais práticas, as saias subiram até ao joelho e os cabelos eram curtos.

As mulheres passaram a trabalhar fora de casa e a frequentar locais públicos.

 

  Cultura de massas

 

A difusão dos meios de comunicação social, facilitou o acesso à diversas formas de cultura por um número cada vez maior de pessoas. Para tal contribuiu o aumento dos tempos livres devido à redução do horário de trabalho e o desenvolvimento das tecnologias, criando o fenómeno da cultura de massas.

A imprensa, a rádio, o cinema e a música, foram os principais meios que possibilitaram o desenvolvimento da cultura de massas.

Também o desporto deixou de estar reservado às elites e popularizou-se através de modalidades propícias ao espectáculo de massas, como o futebol.

A pílula e o Maio de 68 dinamitaram o conceito de família tal qual vigorou durante quase dois mil anos, desde a ocorrência do mistério central da cristantade, a imaculada concepção, que hoje se celebra no Dia da Mãe.

A invenção da pílula abriu a porta para o amor livre e a democratização do sexo - e o caminho para os anos 60, loucos e rebeldes, que nos deram os Beatles, os Rolling Stones, a massificação do consumo do LSD e marijuana, o Maio de 68, as revoltas estudantis contra a Guerra do Vietnam, o homem na Lua, os Velvet Underground, a Pop Art e Andy Warhol.


 


 

 Os valores actuais (ou, se preferirem, a ausência deles) são filhos da década de que o Maio francês será, talvez, o ícone maior e o acontecimento fundador da sociedade liberal que transformou em mentira a frase "mãe, há só uma" que foi verdadeira durante muitos séculos. A explosão de divórcios e de segundos casamentos deu origem a uma geração em que os filhos se subdividem em três categorias: "os meus, os teus e os nossos."


 O aumento das adopções trouxe para as primeiras páginas dos jornais e aberturas dos noticiários os novos conceitos de mãe biológica e mãe adoptiva, celebrizados no triste caso da pequena Esmeralda.

A inseminação artificial possibilitou a milhares de mulheres serem mães, introduziu um novo conceito - o da barriga de aluguer -, e permite que um casal de duas lésbicas tenha filhos, que automaticamente passam a ter duas mães.

Para descobrir os fundamentos deste Mundo Novo, em permanentes e desvairadas mudanças de vidas e de costumes, temos de recuar no tempo 40 anos e olhar para o que se passou em Paris, em Maio.

in DN, 04/05/08

 

 

 
 
 

e outra neste endereço : http://nehistemf.com.sapo.pt/docs9/17_anos20.pdf