A questão do "Mapa Cor-de-Rosa"

12-02-2012 18:24

 

 


 
Nas últimas décadas do século XIX assistiu-se a um aumento do interesse da Europa pelos outros continentes. À necessidade de matérias-primas para abastecer as indústrias europeias, havia a acrescentar a urgência de encontrar novos mercados para escoar a produção dessas mesmas indústrias. Também na opinião pública havia a crença na superioridade e missão civilizadora dos europeus, e a revolução dos transportes marítimos tornara mais próximos destinos outrora distantes.
África apresentava-se como o objectivo óbvio dessa nova vaga de imperialismo europeu.
Até meados do século XIX, os territórios africanos ocupados pela Europa limitavam-se a pequenas faixas ao longo do litoral mediterrâneo, atlântico e índico. As atenções da Europa vão portanto voltar-se para o interior do continente, onde as grandes potências tinham interesses contraditórios e irreconciliáveis. Para evitar possíveis conflitos, as principais potências europeias decidiram, na Conferência de Berlim, em 1885, repartir África entre si segundo o «princípio da ocupação efectiva», isto é, os territórios africanos deveriam pertencer a quem tivesse os meios para os ocupar de facto.
Portugal, apesar do seu pouco peso político internacional, possuía vastos territórios ultramarinos, fruto do seu dinamismo expansionista dos séculos XV e XVI. De entre estes, os mais ricos e extensos eram Angola e Moçambique, dos quais, a semelhança do resto do continente, apenas o litoral era conhecido e efectivamente ocupado.A nova conjuntura internacional esteve assim na origem de inúmeras viagens de exploração, destacando-se entre elas a de Serpa Pinto e a de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens. O primeiro fez, entre 1877 e 1879, a ligação entre Benguela, em Angola, e Durban, na costa Leste da África do Sul. Os segundos, partiram de Moçâmedes, em Angola, em 1884, e atingiram Quelimane, em Moçambique, cerca de um ano depois.Reconhecido o território, foram então enviadas algumas expedições militares, entre 1885 e 1890, para a vasta região compreendida entre Angola e Moçambique, a fim de reclamar esses territórios à luz do que ficara definido na Conferência de Berlim (princípio da ocupação efectiva).Em 1886 era apresentado o célebre “mapa cor-de-rosa”, com o qual Portugal pretendia que lhe fossem reconhecidos os direitos às regiões entre Angola e Moçambique.
 
Sabia-se que esta pretensão portuguesa colidia com um velho projecto inglês de ligar o Cairo (Egipto) ao Cabo (África do Sul).A reacção do governo inglês chegou no dia 11 de Janeiro de 1890, sob a forma de um ultimato formal apresentado ao governo português pelo representante britânico em Lisboa e no qual se exige que todas e quaisquer forças militares portuguesas que se encontram nas regiões entre Angola e Moçambique se retirem sob a pena de corte de relações entre os dois países. Na prática significava que ou governo obedecia ou a Inglaterra declararia guerra a Portugal. O rei D. Carlos reuniu à pressa o Conselho de Estado e, salvo duas opiniões contrárias, todos concordam que era preciso ceder. A resposta para Inglaterra seguiu nesse mesmo dia: "Na presença de uma ruptura iminente de relações com a Grã-Bretanha e de todas as consequências que dela poderiam talvez derivar, o Governo de S.M. resolveu ceder às exigências formuladas (...) e vai expedir para o Governo Geral de Moçambique as ordens exigidas pela Grã-Bretanha".Foi também um período de grande fervor patriótico, com o qual se procurava reabilitar o duramente atingido orgulho nacional. Foi neste contexto que foram compostas a letra e a música d’A Portuguesa (letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil), uma marcha patriótica que, anos mais tarde, a República adoptaria como hino nacional (os canhões do hino são, pois, os canhões ingleses).

 

O MAPA COR-DE-ROSA

O chamado Mapa Cor-de-Rosa era o documento que representava a pretensão de Portugal exercer a soberania sobre os territórios que ficavam entre Angola e Moçambique e que correspondem hoje à Zâmbia, ao Zimbawué e ao Malawi.

A disputa com a Grã-Bretanha sobre estes territórios deu origem ao ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1890, a que Portugal cedeu, com os consequentes danos para imagem interna e externa do governo monárquico português.

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

Face ao crescente interesse das potências europeias por África verificado no final do século XIX, ficou evidente que Portugal deveria também definir nova política africana, já que a crescente presença inglesa, francesa e alemã naquele continente ameaçava a tradicional hegemonia portuguesa nas zonas costeiras de Angola e Moçambique.

Baseando-se no chamado direito histórico e alicerçado na primazia da ocupação europeia, Portugal reclamava vastas áreas do continente africano, embora, de facto, dominasse apenas feitorias costeiras de reduzida ou nula influência no interior.

A partir da década de 1870, contudo, ficou claro ser o direito histórico insuficiente e que a efectiva presença portuguesa no interior seria, essa sim representando uma verdadeira ocupação, justificação para uma reclamação do direito sobre estes territórios.

Para tal, começaram a ser estabelecidos planos destinados a promover a exploração do interior africano. Em 1877 foi lançado, por João Andrade Corvo, um conjunto de iniciativas de exploração destinado a conhecer a zona que separava as colónias de Angola e Moçambique, que levaram as bem conhecidas expedições de Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto, integradas numa nova mas pouco aceite estratégia portuguesa para o continente africano, que privilegiava a ocupação efectiva através da exploração e colonização em detrimento dos simples direitos históricos.

A GÉNESE DO MAPA COR-DE-ROSA

Predominando ainda em Portugal a visão colonial que assentava nos direitos históricos, o governo português, de forma talvez pouco realista, começou por reclamar vastas áreas do continente africano, entrando em choque com os interesses das restantes potências europeias, o que levou a um agudizar de tensões, enquanto eram desenvolvidos esforços para a ocupação efectiva do território.

É neste contexto, que a Sociedade de Geografia de Lisboa, defendendo a necessidade de colocar uma barreira às intenções expansionistas britânicas, que pretendia estabelecer o domínio sobre um território ininterrupto que ligasse o Cairo, no Egipto, à cidade do Cabo no extremo meridional da África do Sul, preparou-se para assumir o controlo no interior de África uma zona de influência portuguesa, definida num mapa como uma ampla faixa da costa à contra-costa, ligando Angola a Moçambique. Nascia assim aquilo que viria a ser chamado de Mapa Cor-de-rosa.

Em 1884 a aceitação unilateral por parte da Grã-Bretanha das reivindicações portuguesas ao controlo do rio Congo, levou ao agudizar das tensões com as potências europeias rivais, o que conduziu à convocação de uma cimeira internacional, a Conferência de Berlim (1884-1885), destinada a resolver os múltiplos conflitos existentes e a fixar as zonas de influência de cada potência em África. O resultado foi a partilha do continente africano entre as potências europeias e o estabelecimento de novas regras para a corrida à África.

Portugal foi o grande derrotado da Conferência de Berlim pois, para além de assistir à recusa do direito histórico como critério de ocupação de território, a 11 de Janeiro de 1890 a Grã-Bretanha, o nosso mais velho aliado, exige a retirada portuguesa de todas as zonas em disputa (os territórios entre Angola e Moçambique), sob pena de serem cortadas as relações diplomáticas. Portugal protestou, mas isolado e sem quaisquer apoios internacionais, restou-lhe apenas ceder e recuar. Era o fim do «mapa cor-de-rosa».


Retirado de http://africanomundo.blogs.sapo.pt/3041.html

 

 

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Na segunda metade do século XIX, a Europa conheceu um elevado crescimento económico que se traduziu num forte desenvolvimento da indústria com um consequente aumento vertiginoso da produção. Esta situação exigiu não só a exploração de novos mercados para escoamento dessa produção, como novas fontes de matéria-prima para alimentar a indústria. Daí o crescente interesse por parte das grandes potências europeias pelo continente africano neste período.

Assim, os projectos para conhecer as regiões africanas intensificaram-se a partir da segunda metade de Oitocentos. De 1850 a 1880 fizeram-se grandes viagens de exploração ao continente negro, como foram os casos, entre outros, de Stanley, de Livingstone e de Brazza. As viagens intensificaram-se ainda a partir da Conferência de Berlim (1884-85). Porém, nesta altura, a concorrência era já grande por parte dos alemães, dos ingleses e dos bóeres. Esta corrida das potências europeias às colónias africanas viria a originar conflitos mais ou menos graves.

Alertados para essa política que, aos olhos de Portugal, era abusiva e lesiva dos nossos direitos históricos em África, surge na mente de alguns políticos – Luciano Cordeiro, Pinheiro Chagas, Barros Gomes, entre outros – a ideia de formar um vasto território na África Central, a partir do litoral que dominávamos; ou seja, ligando os litorais de Angola e Moçambique. Este ambicioso plano aparece já numa convenção luso-francesa de 1886 e figura a cor-de-rosa, daí advindo o nome para a questão.
No entanto, este nosso plano chocava frontalmente com os planos de expansionismo inglês para esta área, sobretudo com as iniciativas de Cecil Rhodes, cujo plano pretendia ligar o Cabo ao Cairo, sempre por solo britânico, ao mesmo tempo que punha em causa o critério, formulado em Berlim, de que só a ocupação efectiva seria prova do domínio colonial.

O resultado foi o Ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1890, sendo exigido a Portugal a retirada de toda a zona disputada sob pena de serem cortadas as relações diplomáticas e, de seguida, a guerra. Isolado, Portugal protestou mas seguiu-se a inevitável cedência e recuo. E assim acabou o “Mapa Cor-de-Rosa”, mas não sem que antes tivesse deixado um legado de humilhação nacional e frustração (bem patente no Finis Patriae de Guerra Junqueiro) que haveria de marcar Portugal durante muitas décadas. Na sequência deste episódio, Alfredo Keil compôs A Portuguesa (actual hino nacional).

Bibliografia:

- Mapa Cor-de-Rosa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. Disponível em:http://www.infopedia.pt/$mapa-cor-de-rosa.  [Acedido em 29/05/2011].